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A luta pela igualdade de gênero no ambiente corporativo

A luta pela igualdade de gênero no ambiente corporativo

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Há tempos que a discussão pela igualdade de gêneros no mercado de trabalho e a seleção de mulheres para cargos de liderança está em pauta, e não precisamos esperar uma data tão importante como o Dia Internacional da Mulher para lembrar que nós queremos apenas igualdade de condições, direitos, oportunidades, e principalmente, respeito.

No último domingo tivemos um ótimo exemplo da força feminina. Frances McDormand, vencedora do prêmio de melhor atriz no Oscar 2018, pelo trabalho em “Três Anúncios Para um Crime”, fez o discurso mais emocionante da noite, ao homenagear todas as mulheres que trabalham no cinema, além das atrizes, diretoras, roteiristas, figurinistas. São tantos os cargos que merecem destaque. MCdormand pediu maior atenção à essas mulheres, seus projetos, suas ideias, em um ambiente tão machista.

E por que cito esse exemplo ao falar de empoderamento? A questão é muito ampla e se estende por todas as áreas de atuação. Precisamos disponibilizar as mesmas oportunidades a homens e mulheres, não os diferenciar apenas pelo gênero, mais sim pela competência, por seu desempenho e comprometimento com o trabalho. Por que homens ainda ganham mais do que as mulheres desempenhando a mesma função?

A realidade dentro da sociedade e no mercado de trabalho em geral ainda é muito dura e injusta com as mulheres. Veja alguns exemplos extraídos do site Meio e Mensagem:

 

– Apenas 10% dos cargos em comitês executivos de empresas no Brasil são ocupados por mulheres. Em posições de direção e gerência, a participação sobre para 37% (dados do IBGE).

 

– A mulher recebe 76% do salário dos homens em posição equivalente (pesquisa Talenses).

 

– A mulher precisa se sentir 100% preparada para se candidatar a um cargo. Já os homens, quando estão 70% prontos, já se colocam à disposição para a vaga (pesquisa Springboard).

 

– 65% das mulheres já evitaram posições de liderança por achar que seriam incapazes de conciliar as tarefas de casa e trabalho. Além disso, 58% dispensaram uma promoção por achar que seria muito “estressante”.

 

– Os homens falam durante 75% do tempo em discussões do trabalho, já as mulheres falam menos ou têm menos oportunidades para falar (segundo dados da pesquisa “Desigualdade de Gênero em Participações Deliberativas” da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, realizada em 2012, fornecidos em matéria da BBC).

 

– As mulheres são duas vezes mais interrompidas em suas falas do que homens em conversas neutras (segundo dados da pesquisa da Universidade de George Washington, realizada em 2014, fornecidos em matéria da BBC).

 

– As mulheres executivas sofrem da “síndrome da impostora”, que é quando ela conquista um cargo de liderança e se pergunta “será que estou no lugar certo?” ou “que sorte a minha!”.

 

Mesmo com tantos obstáculos, as mulheres vão lentamente ocupando posições de liderança em diversas frentes. O Brasil teve a sua primeira presidente mulher, por exemplo, e isso já demonstra uma mudança positiva pela igualdade de gênero.

A mulher desempenha inúmeros papéis, e a cobrança ainda é enorme, nem se compara a expectativa existente em cima dos homens. Isso inclui principalmente a maternidade e questões relacionadas à aparência e jovialidade. E para tornar esse cenário um pouco mais justo, se faz necessário práticas que disponibilizem as mesmas oportunidades às mulheres, sem discriminação e preconceito.

A ONU Mulheres e o Pacto Global divulgaram no último ano os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs, da sigla em inglês) no Brasil e no mundo. Baseados em práticas empresariais bem-sucedidas, o manual orienta as corporações a adaptar as políticas existentes ou criar novos métodos para trabalhar elementos-chave para a promoção da igualdade entre homens e mulheres no local de trabalho, no mercado, em sua cadeia de valor e na sociedade.

Conheça os sete Princípios:

  1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;
  2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não discriminação;
  3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;
  4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;
  5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing;
  6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social;
  7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

 

Quanto mais ações forem disseminadas pelo mundo, com certeza teremos mudanças efetivas não só no ambiente corporativo, mas também no cenário político, econômico, na ciência, tecnologia, no esporte e muito mais.

Até mais,

Vânia Simieli.

 

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